Setor Pet investe na cadeia de reciclagem e em modelos para educar o consumidor

22 empresas do setor pet investem para diminuir o impacto de resíduos sólidos no meio ambiente, o que inclui aportes na estrutura de quatro cooperativas de catadores, assessoria técnica especializada, além do lançamento de pontos de entrega voluntária (PEV).

 

O Ponto Limpo, modelo inovador de Ponto de Entrega Voluntária (PEV), foi inaugurado no dia 21/01 no Walmart Morumbi. Trata-se de um novo conceito para a cadeia da reciclagem, pois além de armazenar os resíduos, é planejado para educar o consumidor e mudar sua atitude em relação ao descarte de embalagens pós-consumo.

Ponto Limpo

Inauguração do Ponto Limpo no Walmart.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), o brasileiro produz diariamente cerca de 1,062 quilo de lixo.  Em 2014, os aterros sanitários receberam 58,4% dos resíduos coletados. Os 41,6% restantes, ou 81 mil toneladas diárias, foram destinadas a lixões ou aterros controlados que, de acordo com a entidade, não têm sistemas necessários à proteção do meio ambiente.

Nesse cenário, a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) contribui para melhorar o descarte e reciclagem do lixo no Brasil por meio da criação de um comitê para tratar da Política Nacional de Resíduos Sólidos do Setor Pet (PNRS Pet), formado por 22 empresas. A proposta é ir além da instalação de pontos de reciclagem e de fato contribuir para a educação ambiental da população. “A sociedade deve praticar o consumo responsável. A produção de resíduos e seu descarte são fundamentais para a sustentabilidade socioeconômica”, destaca José Edson Galvão de França, presidente executivo da Abinpet. A PNRS Pet integra uma coalizão empresarial coordenada pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE).

O primeiro passo é inaugurar um novo conceito de estação de reciclagem com o apoio de parceiros do varejo, chamado Ponto Limpo. No Walmart Morumbi, a estação está em funcionamento desde o dia 21 de janeiro. Há monitores treinados e capacitados que orientam o público sobre preparação e destinação adequada dos recicláveis. Durante a operação, além da coleta de materiais, são analisados o fluxo de pessoas, os dias e horários de pico de captação, o perfil dos usuários, a composição do material recolhido e sua qualidade, além do volume captado e seu custo por quilograma. Os primeiros resultados serão divulgados entre julho e agosto de 2016. Todos os resíduos recicláveis coletados são enviados a uma cooperativa de catadores, responsável por gerir a logística junto às indústrias de transformação, no intuito de reintegrar o material à produção, reduzindo impactos ambientais e gerando trabalho e renda.

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O novo modelo de estação de reciclagem já é adotado com sucesso no Walmart Chile. “As discussões que envolvem a coleta e correta destinação de resíduos sólidos no âmbito da PNRS levaram o Walmart a rever o modelo de gestão de suas estações de reciclagem e a implantar este projeto piloto. A empresa trouxe a experiência adotada com sucesso no Walmart Chile para o Brasil. O Ponto Limpo foi desenvolvido para receber  14 tipos de resíduos e contará com a presença permanente de um monitor que irá orientar a população sobre a importância do descarte correto de resíduos”, explica Tatiana Trevisan, gerente de Sustentabilidade do Walmart Brasil.

Além disso, cerca de 40% dos investimentos do programa serão destinados à infraestrutura física de cooperativas de catadores participantes, visando melhorar sua eficiência e condições de trabalho. Uma delas receberá a maior parte deste aporte para, além de estruturar seu novo galpão, transformar-se em um centro de estudos e sistematização de boas práticas produtivas e administrativas para replicação do conhecimento gerado em outras organizações de catadores que trilham o caminho da autossuficiência.

Ponto Limpo

O financiamento desta nova planta para a cooperativa inclui infraestrutura e equipamentos de ponta com o objetivo de torná-la uma central de triagem de alta eficiência, com excelente nível de gestão e governança e uma capacidade instalada para reintegrar à cadeia produtiva cerca de 100 toneladas de embalagens recicláveis pós-consumo por mês. Outra parte do investimento é destinado à assessoria técnica para as organizações de catadores participantes do programa.  O setor também apoia o projeto Sistema Produtivo Sustentável (SPS), uma parceria com a Universidade Anhembi Morumbi pela qual cerca de 160 alunos de engenharia de produção e mecânica desenvolvem soluções de baixo custo para demandas das organizações de catadores participantes.

Para mensurar os resultados, a entidade também investirá no desenvolvimento do Destino Certo, um sistema de certificação que trará confiabilidade às ações desenvolvidas pelo setor ao garantir que o material recebido e destinado pelas organizações de catadores chegue efetivamente às indústrias recicladoras, retornando à cadeia. Além disso, todo o desenvolvimento de soluções do projeto será sistematizado para gerar um modelo de gestão que serve a outros segmentos atingidos pela PNRS.

Sobre a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação

A Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) representa a indústria Pet, que congrega os segmentos Pet Food (alimento e ingredientes), Pet Vet (medicamentos veterinários) e Pet Care (equipamentos, acessórios e produtos para higiene e beleza). A entidade fortalece o setor por meio de ações que contribuem para o desenvolvimento de seus associados e também para aumentar a percepção de que os benefícios da relação entre seres humanos e animais de estimação se estendem a toda a sociedade.

A Abinpet desenvolveu a ferramenta de coleta de dados mais confiável do mercado: o Painel Pet, que é mantido atualizado por dados e informações enviados pelos integrantes do setor. Em 2014, o faturamento da Indústria Pet chegou aos R$ 16,7 bilhões e em 2015 deverá atingir $ 17,9 bilhões. É cada vez maior a participação desse setor na economia nacional e, por isso, é parte relevante do agronegócio: cerca de 67,4% % do faturamento de 2015 será dos produtos para nutrição animal, cuja composição é 95% agropecuária, com ingredientes como milho, soja, arroz, trigo e carnes de aves, bovinos e peixes.

Todos os produtos da indústria de alimentos e medicamentos veterinários são fiscalizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), na Secretaria de Defesa Agropecuária (DFIP, DIPOA e Vigiagro).

A Associação é referência técnica para o setor e publica há nove anos o Manual Pet Food Brasil, adotado pelas principais fabricantes de alimento como guia de boas práticas. O Manual contém informações sobre os padrões técnicos e de qualidade de matérias-primas, parâmetros nutricionais, metodologias analíticas aplicáveis e condições ideais de produção para garantir alimentos seguros aos mercados nacional e internacional. Sua atualização ocorre a cada dois anos, considerando o desenvolvimento do setor.

Walmart no Brasil

A sustentabilidade está inserida na estratégia de negócios do Walmart em todo o mundo. A empresa foca suas ações em três pilares de atuação a partir de metas globais: Clima e Energia, Resíduos e Produtos mais sustentáveis – sempre com a preocupação de criar uma forte cultura de sustentabilidade, que envolva todos os públicos de interesse que fazem parte do negócio, como funcionários, fornecedores e clientes. Para isso, realiza diferentes programas e iniciativas por meio de parcerias e investimentos na cadeia de valor.

Presente no país desde 1995, o Walmart Brasil opera hoje com cerca de 500 unidades e 75 mil funcionários em 18 estados, além do Distrito Federal. São 9 bandeiras entre hipermercados (Walmart, Hiper Bompreço e BIG), supermercados (Bompreço, Nacional e Mercadorama), atacado (Maxxi), clube de compras (Sam’s) e lojas de vizinhança (TodoDia). Em 2014, o faturamento da empresa no Brasil foi de R$ 29,6 bilhões.