Abinpet destaca importância da guarda responsável

Abinpet destaca importância da guarda responsável

Debates sobre bem-estar de animais de estimação ainda são recentes e sensibilizar sociedade sobre o tema é desafio de empresas, governos e sociedade civil

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) mostram que nos últimos anos, as empresas vêm percebendo um aumento dos gastos com produtos Premium de alimentação. À primeira vista, essa tendência pode ser atribuída ao maior número de opções disponíveis com mais valor agregado e diferenciação. Mas outro fator importante também influencia os resultados: o aumento da consciência sobre a guarda responsável. Preocupados com o bem-estar de seus pets, donos têm escolhido investir em produtos que proporcionem maior saúde, segurança e comodidade para os animais.

Debates sobre guarda responsável são recentes, fruto de anos de trabalhos de sensibilização feito por entidades da sociedade civil com a ARCA Brasil – Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal. “Há mais de duas décadas, cães e gatos eram visto como uma questão de saúde pública, uma ameaça aos humanos”, afirma Marco Ciampi, presidente da ARCA Brasil há 25 anos. Eram tempos em que a prefeitura, com a famosa carrocinha, laçava animais na rua. Muita coisa mudou. “Foi-se criando um espaço para o animal como membro da família, um querido amigo, que precisa ser zelado”, explica Ciampi.

Young girl is resting with a dog on the armchair at home .

No conceito de posse responsável este zelo é representado pela alimentação adequada, idas ao veterinário, vacinas, banho e tosa, além de carinho e principalmente atenção, que deixaram de ser considerados luxos dos pets. Em 2003, a entidade britânica Farm Animal Welfare Committee determinou as cinco liberdades do bem-estar animal, reconhecidas internacionalmente: ser livres de medo e estresse; ser livres de fome e sede; ser livres de desconforto; ser livres de dor e doenças; e ter liberdade para expressar seu comportamento ambiental.

Estes critérios servem de base para discussões sobre a guarda responsável, pois antes de adquirir um animal de estimação, é preciso refletir qual o custo (em tempo e dinheiro) é necessário para se garantir tais liberdades. Por exemplo, segundo a Abinpet, o gasto com cães adultos pode chegar, mensalmente, a cerca de R$ 239,97, quando calculado o valor de ração, vacinas, banho e tosa e controle de pulgas, dentre outras coisas. Para gatos adultos é esperado que, mensalmente, o dono invista cerca de R$ 110,05 em seu bem-estar. Com peixes, os custos de criação estão em torno de R$ 50,83; roedores precisam, em média, de R$ 55,50; as aves, R$ 7,80; e os répteis, R$ 13,90 por mês.

Ciampi lembra que, apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito. Questões como controle populacional de animais, punição para quem maltrata os pets e mesmo apoio para ações de sensibilização para organizações de defesa animal, são os principais desafios atuais. Em linha com estes desafios, a ARCA Brasil criou os 10 mandamentos da guarda responsável, que traz orientações sobre bons procedimentos na guarda de animais de estimação. Conheça-os, abaixo:

10 Mandamentos da guarda responsável:

1-Antes de adquirir um animal, considere que seu tempo médio de vida é superior a 12 anos. Pergunte à família se todos estão de acordo, se há recursos para mantê-lo e verifique quem cuidará dele nas férias ou em feriados prolongados.

2-Adote animais de abrigos públicos e privados (vacinados e castrados), em vez de comprar por impulso.

3-Informe-se sobre as características e necessidades da espécie escolhida – tamanho, comportamentos, espaço físico.

4-Mantenha o seu animal sempre dentro de casa, jamais solto na rua. Para os cães, passeios são fundamentais, mas apenas com coleira/guia e conduzido por quem possa contê-lo.

5-Cuide da saúde física do animal. Forneça abrigo, alimento, vacinas e leve-o regularmente ao veterinário. Dê banho, escove e exercite-o regularmente.

6-Zele pela saúde psicológica do animal. Dê atenção, carinho e ambiente adequado a ele.

7-Eduque o animal, se necessário, por meio de adestramento, mas respeite suas características.

8-Recolha e jogue os dejetos (cocô) em local apropriado.

9-Identifique o animal com plaqueta e registre-o no Centro de Controle de Zoonoses ou similar, informando-se sobre a legislação do local. Também é recomendável uma identificação permanente (microchip ou tatuagem).

10-Evite as crias indesejadas de cães e gatos, um dos motivos para o abandono. Castre os machos e fêmeas. A castração é a única medida definitiva no controle da procriação e não tem contra-indicações.